CEO do Walmart se aposenta e dá conselho: a vida é muito curta para odiar seu emprego

O CEO do Walmart, Doug McMillon, aposentou-se no fim de janeiro, após passar toda a sua carreira de quatro décadas subindo na hierarquia, do depósito à cúpula executiva. Ao relembrar a trajetória intensa no gigante do varejo avaliado em US$ 938 bilhões, McMillon deixou três lições para jovens da geração Z que estão entrando no mercado de trabalho — e a primeira não exige um diploma sofisticado, apenas determinação.

“Do ponto de vista da carreira, a primeira coisa que digo a qualquer pessoa que pede orientação é: faça bem o trabalho de hoje, esteja presente, promova mudanças, entregue resultados e faça tudo da maneira correta”, disse McMillon aos formandos durante seu discurso de formatura na Universidade do Arkansas, em 2024. “Estar presente no papel de hoje e conquistar confiança leva à próxima oportunidade de trabalho.”

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McMillon entende bem como usar a lealdade como alavanca para avançar na carreira. O CEO aposentado começou no Walmart em 1984, separando pedidos e descarregando caminhões em um depósito por apenas US$ 6,50 (R$ 34) por hora.

Esse emprego de verão se transformou em uma jornada de quatro décadas na empresa. Depois de concluir um MBA pela Universidade de Tulsa, ele fez a transição para a área corporativa do Walmart em 1991, como comprador de equipamentos de pesca, e chegou ao cargo de CEO em 2014.

Dedicar toda a carreira a um único empregador não é tarefa fácil, mas McMillon já disse que nunca “ficou entediado um único dia” — e aconselhou a geração Z a encontrar uma carreira que também ame.

“Meu segundo conselho é buscar uma carreira que não pareça trabalho. A vida é curta demais para investir tanto tempo fazendo algo de que você não gosta”, continuou McMillon.

“Espero que você encontre seu lugar rapidamente, como aconteceu comigo, mas, se não encontrar, meu conselho é que não desista até conseguir… Se você estiver no lugar certo, na maioria dos dias, o trabalho nem vai parecer trabalho.”

Para a geração mais jovem, abalada pela automação de empregos por inteligência artificial, guerras tarifárias, custos altíssimos de moradia e dívidas estudantis sufocantes, a última lição de McMillon soa especialmente verdadeira: seja compassivo com os outros, mesmo quando as coisas ficam difíceis.

“Meu terceiro e último conselho é assumir a boa intenção dos outros e demonstrar compreensão”, acrescentou McMillon. “Saiba que você terá mais alegria com o que oferece do que com o que recebe. Há muito conflito no mundo hoje. Muita preocupação e sofrimento em excesso. Temos muitos desafios a resolver.”

A Fortune procurou o Walmart para comentar.

CEOs que dizem que é importante amar o que você faz

McMillon não é o único líder empresarial que incentiva jovens da geração Z a fazer o que alimenta a alma, e não apenas a conta bancária.

O falecido cofundador e CEO da Apple, Steve Jobs, aconselhou formandos a não se acomodarem em um trabalho pelo qual não tenham paixão; o amor de Jobs pela carreira o manteve firme mesmo após ser afastado da empresa que construiu e durante a quase falência da Apple.

Trabalhadores jovens também deveriam encontrar sua vocação, ele incentivava, mesmo que isso signifique rejeitar oportunidades que não pareçam certas.

“Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E a única maneira de fazer um grande trabalho é amar o que você faz”, disse Jobs durante o discurso de formatura em Stanford, em 2005.

“Se você ainda não encontrou isso, continue procurando — e não se acomode. Como em todas as questões do coração, você saberá quando encontrar.”

Um dos lados positivos de buscar uma carreira realizadora é que isso torna as partes difíceis do trabalho um pouco mais suportáveis.

O cofundador e CEO da Hyrox, Christian Toetzke, disse que a melhor forma de alcançar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é amar tanto o próprio emprego a ponto de nada parecer uma obrigação. Para ele, é quase um privilégio ir ao escritório todos os dias e vasculhar centenas de e-mails.

“Sou um grande defensor do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, mas a questão é sempre como olhamos para isso. E sou uma pessoa muito privilegiada porque não considero o que faço como trabalho”, disse Toetzke no podcast Opening Bid Unfiltered, de Brian Sozzi, no ano passado.

“Eu faço o que realmente amo. Também é o meu hobby. Para mim, o trabalho não é uma punição. É quase uma recompensa.”

Mas os CEOs fazem questão de ressaltar que amar o que se faz não significa que tudo seja perfeito o tempo todo.

Dan Sheridan, CEO da fabricante de calçados Brooks Running, aconselhou jovens da geração Z que almejam o cargo mais alto a entender que a função vem acompanhada de certo caos.

“A Brooks não é perfeita — nenhuma organização é”, disse Sheridan ao podcast Leadership Next, da Fortune, no ano passado. “Temos nossos defeitos, nossos machucados e coisas do tipo… Em 80% do tempo, eu amo o que estou fazendo.” Nos outros 20% do tempo, admitiu o CEO, o trabalho é cheio de “coisas que enlouquecem você e problemas que não dá para resolver”.

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