Após superar as expectativas de crescimento em 2025, a MadeiraMadeira, ecossistema focado em produtos e serviços para o lar, atingiu sua maturidade financeira e desenha um plano agressivo para os próximos anos. Enquanto o setor de fabricação de móveis com predominância de madeira registrou uma contração de 7,8% no último ano, a companhia obteve um aumento de 21% em sua receita bruta e viu seu EBITDA dar um salto expressivo de 208% na comparação com 2024.
Com a melhora dos indicadores econômicos, a companhia retomou seu target histórico e projeta uma expansão anual entre 20% e 30% para os próximos cinco anos. O cenário macroeconômico atual, impulsionado pela desaceleração da inflação, menor taxa de desemprego e o aumento da renda disponível (beneficiado pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil), abre uma nova janela de oportunidades para o consumo.
Em entrevista ao InfoMoney, Daniel Scandian, cofundador e CEO da empresa, atribui o descolamento do resto do setor ao modelo de negócio asset light – em vez de arcar com os custos de grandes estoques próprios, a empresa opera integrada a mais de 700 fornecedores. Cerca de 80% do portfólio tem disponibilidade imediata (“estoque D+1”), e mais da metade desse volume é dedicado exclusivamente à MadeiraMadeira dentro das próprias indústrias parceiras.
“Isso nos permite reduzir os impactos nas crises e ter maior direcionamento de capital para investimentos em logística, tecnologia, área comercial, além de serviços”, explica Scandian.
Atualmente, a companhia concentra quase 30% de todo o mercado online de móveis no Brasil, canal que representa 90% de suas vendas.
A ‘ressaca’ pós-pandemia e a retomada
Os resultados de 2025 marcam a consolidação da recuperação da empresa após o forte baque macroeconômico recente. Durante a pandemia, o setor viveu um pico de demanda. “No início, a gente teve 15 dias em que todo o mercado parou e ninguém sabia o que ia acontecer. Mas acabamos crescendo muito mais porque as pessoas compravam tudo online. Em 2020 foi o ano que mais ganhamos market share, crescemos 120%”, relembra o CEO.
Dados da Produção Industrial (PIM) do IBGE confirmam a oscilação do mercado: após retrações em 2019 e 2020, o setor de móveis de madeira expandiu 12,7% no acumulado de janeiro de 2020 até janeiro de 2021. Contudo, os bons ventos logo mudaram. A “ressaca” no consumo — com a antecipação de compras das famílias —, somada aos estoques elevados da indústria, inflação acumulada de mais de 20% nos últimos quatro anos e alta taxa de juros, freou o mercado.
“Em 2022 e 2023 tivemos o momento mais difícil. Foi a época em que crescemos menos, o pior crescimento da nossa história, ficamos entre 5% e 8%”, contextualiza Scandian.
| Produção Industrial – Variação (%) | ||
| Mês | Fabricação de móveis em geral* | Fabricação de móveis com predominância de madeira* |
| janeiro 2018 | 11,3 | 13,4 |
| janeiro 2019 | -2,2 | -3,5 |
| janeiro 2020 | -1,9 | -1,3 |
| janeiro 2021 | 7,8 | 12,7 |
| janeiro 2022 | -36,3 | -32,9 |
| janeiro 2023 | 9,1 | 8,4 |
| janeiro 2024 | 0,8 | 0,6 |
| janeiro 2025 | 8,6 | 9,6 |
| janeiro 2026 | -6,9 | -7,8 |
Fonte: PIB-PF / IBGE
Logística como motor de crescimento
Para sustentar o ritmo de expansão atual, a MadeiraMadeira tem focado fortemente na sua malha de entregas. A empresa movimenta 30 mil toneladas de móveis por mês, o equivalente a mais de 40 mil guarda-roupas, segundo Scandian.
A BulkyLog, operadora logística criada pela companhia em 2019, alcançou uma taxa de pontualidade de 94,9% nas entregas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, superando o índice médio de 81,1% do mercado.
Para dar conta do volume projetado para os próximos anos, a MadeiraMadeira expandiu sua área logística em 40%, devendo alcançar 150 mil metros quadrados de área de cross-docking em 2026. O plano inclui a abertura de sete novos centros de distribuição até o fim de 2026.
A expansão tem forte olhar para o Nordeste: Salvador foi escolhida recentemente como o primeiro hub para abastecer outros estados da região, reduzindo custos e prazos de entrega.
Lojas físicas e a aposta nos modulados
Embora o online seja sua fortaleza, a MadeiraMadeira sabe que o varejo físico ainda domina o faturamento do setor. Por isso, a empresa ampliará a abertura de lojas físicas (guide shops), que funcionam como vitrines interativas para fortalecer a experiência de compra em diversos canais (online e offline).
Em março de 2026, será inaugurada a primeira unidade focada em projetos modulares e marcas próprias (private label, como a Madeira Originals, que cresceu 25% em receita).
A aposta nos móveis modulares ataca uma dupla demanda do consumidor: preço e tempo. O mobiliário modular custa cerca de um terço do valor de uma marcenaria planejada convencional. Em São Paulo, o prazo de entrega da companhia varia de 10 a 15 dias úteis — um terço do tempo exigido pelo mercado tradicional, que leva de 45 a 120 dias.
A solução tem tido alto sucesso em apartamentos compactos, como studios e lofts, atraindo até mesmo investidores imobiliários, explica o CEO.
Serviços e o ponto de inflexão
O ecossistema da marca também avança para o pós-venda. A unidade de serviços para casa — que oferece montagem, desmontagem, impermeabilização e limpeza — teve alta de 29% na receita bruta anual. A projeção para 2026 é realizar 320 mil prestações de serviços, um salto de 53%.
Prestes a completar 17 anos, a MadeiraMadeira avalia que a tempestade passou e deixou a fundação mais sólida. “Atingimos a fase adulta. É uma empresa madura, que tem processo, gestão e uma cultura forte”, avalia Daniel Scandian. Segundo ele, a companhia vive um claro ponto de inflexão: alcançou a lucratividade consistente, mas com o fôlego e a inovação dos tempos de startup.
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