Neste começo de 2026, a administração de Donald Trump decidiu apertar o cerco a Cuba, interrompendo o fluxo de envio de combustíveis ao país. Isso somado a décadas de bloqueios e embargos comerciais tem intensificado a crise econômica na nação caribenha. A política de causar uma ruptura política na ilha que leve a uma troca de poder em favor de algum grupo mais aberto às leis do mercado é abertamente declarada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, de ascendência cubana.
Um senso de urgência para a situação ficou nítido na reunião de Trump com lideranças latino-americanas em 7 de março, no anúncio do Escudo das Américas. O líder americano disse que Cuba está em “seus últimos momentos de vida”, revelando que Rubio vai dar atenção ao tema tão logo a situação no Irã dê sinais de resolução.
No entanto, as atenções e interesses americano na ilha não são novas, chegando até os primórdios da Guerra da Independência dos EUA. Desde então, já houve tentativas de comprar a ilha, intervenções militares, apoios e confrontos com governos e idas e vindas na política comercial.
Com a derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista e a ascensão de Fidel Castro ao poder na ilha, Cuba virou uma peça-chave na Guerra Fria e um últimos bastiões do socialismo como forma de governo. O país está numa encruzilhada porque sempre dependeu de subsídios de adversários dos EUA, como a União Soviética, a Venezuela, a Rússia e a China, um fluxo que tem sido seguidamente reduzido, ou totalmente interrompido.
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O InfoMoney preparou uma linha do tempo para mostrar esse percurso das relações entre EUA e Cuba. Confira abaixo:
Relação comercial (1775–1823)
As treze colônias norte-americanas se rebelam contra a Grã-Bretanha e estabelecem os Estados Unidos, incentivando assim o comércio entre a nação recém-independente e Cuba. Em 1818, a Espanha abre portos cubanos para o comércio internacional, especialmente com os EUA. O comércio com Cuba substitui cada vez mais as relações comerciais espanholas com a ilha. No ano seguinte, os Estados Unidos adquirem a Flórida, que havia sido governada pela Espanha como parte da Capitania Geral de Cuba.
Interesse de aquisição (1823-1851)
Em abril de 1823, o Secretário de Estado John Quincy Adams escreve uma carta ao Ministro dos EUA na Espanha, Hugh Nelson, antecipando a probabilidade da anexação de Cuba pelos EUA dentro de meio século. Em 1848, o presidente James Polk oferece 100 milhões de dólares para comprar Cuba da Espanha, que recusa a oferta. Na sequência, o general Narciso López, nascido na Venezuela e exilado nos EUA, organiza três expedições abortadas para libertar Cuba da Espanha. O governo espanhol executa López e cinquenta e um membros de sua última expedição, em agosto de 1851.
Manifesto de Ostende e açúcar cubano (1854-1865)
Durante o governo do presidente Franklin Pierce, diplomatas americanos propõem novamente comprar Cuba da Espanha por até 120 milhões de dólares, em um documento secreto conhecido como Manifesto de Ostende. O plano falha quando o presidente Pierce o rejeita por ser politicamente inaceitável. Em 1865, Cuba já exporta 65% de seu açúcar para os Estados Unidos e apenas 3% para a Espanha.
Guerra de independência e migração (1868-1878)
Começa em 1958 a primeira guerra de independência cubana da Espanha, conhecida como a Guerra dos Dez Anos. No período, os EUA admitem 10 mil imigrantes de Cuba. Em 1869, o empresário espanhol Vicente Martínez Ybor, simpatizante da independência cubana, foge da ilha e estabelece uma fábrica de charutos em Key West, Flórida. Em 1875, Carlos Manuel de Céspedes y Céspedes, filho de um dos líderes da Guerra dos Dez Anos, é eleito o primeiro prefeito cubano de Key West. Com o fim da guerra, é fundada a primeira liga profissional cubana de beisebol.
José Marti nos EUA (1881-1895)
Em 1881, o jornalista, poeta e político cubano José Martí se estabelece na cidade de Nova York, onde escreve em espanhol e inglês para vários jornais latino-americanos e americanos. Cinco anos depois, a Espanha abole a escravidão em Cuba. Em 1892, Martí funda o jornal pró-independência Pátria, em Nova York, e o Partido Revolucionário Cubano. Em 1895, explode a terceira e última guerra de independência cubana da Espanha. Martí morre em batalha contra os espanhóis em Cuba, em maio.
Guerra, intervenção e República (1989-1902)
Em fevereiro de 1898, o USS Maine explode no Porto de Havana. Os Estados Unidos declaram guerra à Espanha em abril, conflito que se estende até agosto. A Espanha renuncia ao controle de Cuba (assim como de Porto Rico, Filipinas e Guam) por meio do Tratado de Paris, assinado em dezembro. No ano seguinte, os Estados Unidos iniciam a ocupação militar formal de Cuba. Em 1901, o Congresso dos EUA aprova a Emenda Platt, declarando que pode intervir militarmente em Cuba para defender os interesses dos EUA, e exige que a assembleia constituinte cubana incorpore o estatuto à nova constituição. Em junho, a assembleia constituinte adota a Emenda Platt. Em 20 de maio de 1902, os EUA encerram a ocupação militar de Cuba, inaugurando formalmente a república cubana. Tomás Estrada Palma, cidadão naturalizado dos EUA, é eleito o primeiro presidente de Cuba.
Tratados e exploração econômica (1903-1916)
Estados Unidos e Cuba assinam um tratado em 1903 incorporando a Emenda Platt. Em julho, Cuba arrenda os locais de Bahía Honda e Guantánamo para os Estados Unidos como estações de carvão e navais. A Convenção Recíproca Comercial EUA-Cuba, assinada em dezembro, concede uma redução de 20% para a entrada de produtos agrícolas cubanos no mercado americano em troca de reduções entre 20% e 40% nas importações americanas para Cuba. Os EUA voltam a ocupar Cuba entre 1906 e 1909 para reprimir uma insurreição após a renúncia do presidente Estrada Palma – e passa a controlar a ilha por meio de um governo provisório liderado por Charles Edward Magoon.
Em 1912, os EUA enviam fuzileiros a Cuba para proteger propriedades americanas, em resposta a uma rebelião armada (conhecida como “guerra racial”) dos afro-cubanos na Província de Oriente. Em dezembro, os Estados Unidos cedem seus direitos sobre a Bahía Honda em troca de instalações maiores na Baía de Guantánamo. Em 1916, O fabricante de chocolates americano Milton Hershey começa a adquirir terras em Cuba. Ele constrói a Central Hershey, uma grande usina de açúcar e a cidade ao redor, cerca de trinta e cinco milhas a leste de Havana. Os ativos cubanos da Hershey foram vendidos em 1946 para a Cuban Atlantic Sugar Company.
Insurreições e intervenção militar (1917–28)
Os Estados Unidos lideram novamente uma intervenção militar em Cuba após uma eleição presidencial contestada – a reeleição de Mario García Menocal — e uma rebelião armada liderada pelo ex-presidente José Miguel Gómez. Em 1928, o presidente Gerardo Machado estende inconstitucionalmente seu mandato de reeleição para seis anos, provocando insurreições armadas.
Tarifas, revoltas e a ascensão de Fulgêncio Batista (1930-1944)
Em 1930, é instituída a Lei Tarifária Hawley-Smoot, que aumenta as tarifas sobre o açúcar cubano e reduz sua participação no mercado de açúcar dos EUA, agravando as condições econômicas na ilha durante a Grande Depressão. Em 1933, uma greve geral leva o governo Machado a um ponto de ruptura e ele é derrubado por um golpe militar. Carlos Manuel de Céspedes y Quesada assume como como presidente provisório, mas a “Revolta dos Sargentos”, liderada por Fulgencio Batista, derruba a administração. Após apenas 100 dias do governo provisório de Ramón Grau San Martín, Batista derruba o governo de Grau San Martín e instala novos presidentes provisórios. O próprio Fulgêncio Batista é eleito em 1940, ficando até o final do mandato, em 1944. Nesse meio tempo, os EUA revogam a Emenda Platt em maio como parte da Política de Bom Vizinho do presidente Franklin D. Roosevelt.
Ditadura Batista (1952-1959)
Após finalizar seu mandato presidencial, Batista deixa Cuba rumo aos Estados Unidos, passando um tempo em Daytona Beach, Flórida, e na cidade de Nova York. Em 1952, Batista — que havia retornado a Cuba para concorrer novamente à presidência — depõe o presidente Carlos Prío Socarrás, cancela a constituição e suspende as eleições. Ele só deixaria o poder em 1959, após a Revolução Cubana.
Fidel Castro lidera revoltas e assume o poder (1953-1959)
Em 26 de julho de 1953, Fidel Castro lidera uma revolta malsucedida contra o regime de Batista, atacando o quartel Moncada, do Exército, em Santiago de Cuba. Fidel, seu irmão Raúl e outros sobreviventes de Moncada são presos, mas Batista concede anistia a eles em maio de 1955. Os irmãos Castro seguem para o exílio no México, mas retornam no ano seguinte e se instalam na serra Maestra, onde, auxiliados por Ernesto “Che” Guevara, travam uma guerra de guerrilha. Em 1957, mais de 236 mil turistas norte-americanos visitam Cuba. No ano seguinte, os EUA impõem um embargo de armas contra o governo Batista. Enfraquecido, o regime cai na véspera do Ano Novo de 1959.
Em 7 de janeiro, os EUA reconhecem o novo governo cubano. Empossado como primeiro-ministro, Fidel Castro visita os Estados Unidos em abril, mas o presidente Dwight D. Eisenhower se recusa a se reunir com ele – Fidel foi recebido pelo vice, Richard Nixon. Em maio, o governo cubano aprova a primeira lei de reforma agrária, que erradica os grandes latifúndios privados.
Nacionalização e aproximação com a URSS (1960-1962)
O governo cubano começa a nacionalizar todas as empresas norte‑americanas na ilha sem compensação, incluindo 21 engenhos de açúcar, companhias de serviços públicos e bancos. Em outubro, o governo Eisenhower impõe um embargo comercial parcial a Cuba, excetuando alimentos e medicamentos. A Operação Pedro Pan começa em dezembro, levando 14.048 crianças cubanas desacompanhadas para os EUA até o fim da operação, em outubro de 1962. Os EUA tinham rompido relações diplomáticas com Cuba um ano antes. Após criar o Programa de Refugiados Cubanos, em fevereiro de 1961, o governo Kennedy se envolve em abril na fracassada Invasão da Baía dos Porcos (Playa Girón) — 1.197 exilados são feitos prisioneiros em Cuba. Em maio, Fidel Castro declara que Cuba é um Estado socialista. Em dezembro, uma nova lei cubana nacionaliza a propriedade privada de todos os cubanos que fugirem da ilha.
Crise dos mísseis e Voos da Liberdade (1962-1973)
Em fevereiro de 1962, o governo Kennedy estende o embargo norte‑americano a todo o comércio com Cuba. As relações só pioram até que, em outubro, foi confirmado que Castro permitiu à União Soviética instalar mísseis nucleares na ilha. A crise só é resolvida quando a União Soviética retira os mísseis em troca da remoção dos mísseis nucleares norte‑americanos da Turquia. Entre janeiro de 1959 e outubro de 1962, quando todos os voos comerciais entre Havana e Miami são suspensos, 248.070 pessoas fogem da ilha para os Estados Unidos. Em dezembro, 1.113 homens feitos prisioneiros na Invasão da Baía dos Porcos são devolvidos aos Estados Unidos em troca de alimentos e medicamentos para Cuba.
Em 1965, Castro anuncia que qualquer cubano que queira ir para os Estados Unidos pode fazê‑lo através do porto de Camarioca, em Matanzas. Um total de 2.979 cubanos viaja de barco para os Estados Unidos entre 10 de outubro e 15 de novembro. Essa ponte marítima leva ao estabelecimento de uma ponte aérea entre Varadero e Miami, conhecida nos Estados Unidos como os “Voos da Liberdade”, que só vai acabar em 1973 – calcula-se que 260.561 cubanos tenham migrado para os EUA nesse período.
Distensão e repatriação (1976-1981)
Uma nova Constituição cubana, moldada segundo a Constituição soviética de 1936, institucionaliza o caráter socialista do governo cubano em 1976. Já no governo de Jimmy Carter, EUA e Cuba restabelecem relações diplomáticas limitadas ao abrirem seções de interesses em Washington e Havana. Em 1979, mais de 100.000 exilados retornam para visitar a ilha. Mas em 1980, mais de 10 mil cubanos invadem a Embaixada do Peru em Havana pedindo asilo. Castro anuncia que todos os cubanos que desejarem emigrar para os EUA podem fazê‑lo através do porto de Mariel, a oeste de Havana. A “ponte marítima de Mariel” resulta na emigração de 125.266 cubanos para a Flórida antes do fechamento do porto em outubro.
Guerra quase fria (1982-1989)
Em 1982, o Departamento de Estado dos EUA inclui Cuba em sua lista de Estados patrocinadores do terrorismo, devido ao apoio do governo da ilha a movimentos revolucionários na América Latina e na África. No ano seguinte, após uma intervenção armada dos EUA em Granada, são capturados 638 combatentes cubanos. É feito um acordo para que EUA admitam até 20.000 imigrantes cubanos por ano. Em 1985, os EUA inauguram as transmissões da Rádio Martí para Cuba, com o objetivo de fornecer “notícias e programação de informação sem censura” ao povo da ilha. Havana responde suspendendo o acordo migratório com os Estados Unidos e as visitas familiares a Cuba.
Fim da URSS e distensão política (1992-1996)
Em fevereiro de 1992, a Constituição cubana é emendada, eliminando qualquer menção à antiga União Soviética. Mas em outubro, o Congresso dos EUA aprova a Lei Torricelli, aumentando as sanções comerciais, após Cuba tomar medidas contra subsidiárias norte‑americanas. O governo cubano legaliza o uso do dólar norte‑americano pelos cidadãos, juntamente com o peso cubano, iniciando assim o sistema de dupla moeda na ilha. Fidel libera a saída de cidadãos por qualquer meio possível. Isso gera uma crise de excesso de balsas improvisadas. Em 1995, o presidente Bill Clinton anuncia que a Guarda Costeira dos EUA passará a repatriar cubanos interceptados no mar, dando início à política de “pé molhado/pé seco”. Os cubanos que chegam ao solo norte‑americano podem permanecer.
Pressão por abertura política (1996-1999)
Após caças da força aérea cubana derrubarem dois aviões civis pilotados pelo grupo de exilados cubanos Irmãos ao Resgate, Clinton sanciona a Lei Helms‑Burton, pela liberdade e solidariedade democrática cubana. O papa João Paulo II visita Cuba e pede o fim do embargo norte‑americano contra a ilha, proclamando: “Que Cuba se abra ao mundo e o mundo se abra a Cuba”. Em 1999, a Assembleia Nacional de Cuba aprova uma lei de proteção à economia impondo penas de prisão a quem colaborar com as políticas “anticubanas” do governo dos EUA.
Crise Elián Gonzaléz, Carter na ilha e novas restrições (2000-2003)
Em 2000, explode o caso Elián González, menino de cinco anos que sobreviveu a um naufrágio que matou sua mãe e o companheiro dela durante a travessia Cuba-EUA. O governo Clinton ficou entre permitir que o menino ficasse com parentes em Miami ou se o enviava de volta ao pai, Cuba. Após uma batalha de sete meses nos tribunais dos EUA, um tribunal federal de apelação concede ao pai de Elián o poder de agir em seu nome em processos de imigração. Após a Suprema Corte dos EUA se recusar a revisar o caso, Elián retornou à ilha caribenha. Em 2001, cinco agentes de inteligência cubanos são condenados por espionagem, conspiração para cometer assassinato e outras atividades ilegais nos Estados Unidos. Em 2002, Jimmy Carter torna‑se o primeiro ex‑presidente norte‑americano a visitar Cuba desde 1959.
Em junho de 2004, o governo George W. Bush impõe novas restrições às viagens de norte‑americanos a Cuba, incluindo a redução de visitas familiares de cubano‑americanos e de remessas para a ilha. Em outubro, o governo Castro proíbe transações em dólares norte‑americanos e impõe um imposto de 10% sobre conversões de dólar para peso.
Reaproximação e visita de Obama (2006-2016)
Por problemas de saúde, Fidel Castro começa a se afastar do poder. Em 2008, a Assembleia Nacional de Cuba elege Raúl Castro presidente. No ano seguinte, o presidente Barack Obama suspende as restrições do governo norte‑americano a viagens familiares e remessas a Cuba. Seguem-se outras reformas migratórias até que, em 2015, o presidente dos EUA retira Cuba da lista de patrocinadores do terrorismo. Em julho, daquele ano, EUA e Cuba restabelecem relações diplomáticas e abrem embaixadas em suas respectivas capitais. Em março de 2016, Obama torna‑se o primeiro presidente norte‑americano em exercício desde 1928 a visitar Cuba.
Governo Trump aperta o cerco (2017-2020)
Donald Trump proclama mudanças na política dos EUA em relação a Cuba, incluindo a proibição de transações comerciais de empresas norte‑americanas com empresas estatais cubanas administradas pelos militares e a restrição de viagens individuais “povo a povo” à ilha. Em outubro de 2017, os Estados Unidos expulsam quinze diplomatas da Embaixada de Cuba em Washington. A Assembleia Nacional do Poder Popular escolhe Miguel Díaz‑Canel como presidente de Cuba, mas Raúl Castro permanece como primeiro secretário do Partido Comunista cubano. Em fevereiro de 2019, quase 87% do eleitorado cubano ratifica uma nova constituição, que reafirma o caráter “irrevogável” do socialismo, o papel “de vanguarda” e dirigente do Partido Comunista de Cuba e a primazia de uma economia centralmente planejada sobre o mercado. A administração Trump limita o valor permitido de remessas familiares a Cuba a US$ 1.000 por trimestre. Em outubro, o governo Trump proíbe a maioria dos voos comerciais dos EUA para Cuba, exceto aqueles com destino a Havana. Em 2020, Cuba começa a enviar profissionais de saúde a vários países afetados pela pandemia de Covid-19, o que leva os EUA alertar sobre supostos abusos trabalhistas de Cuba, classificando‑os como uma forma de “escravidão moderna”. Já em 2021, nos últimos dias da gestão Trump, Cuba volta à lista do Departamento de Estado de países patrocinadores do terrorismo .
Governo Biden afrouxa restrições (2021-2024)
Com a chegada de Joe Biden à presidência dos EUA, começa um lento processo de afrouxamento de restrições. A seção consular é reforçada e o processamento de vistos norte‑americanos para cidadãos cubanos é retomado. Acontece o primeiro encontro desde 2018 entre autoridades para discutir a migração, e as restrições a viagens e remessas a Cuba são relaxadas. Mas a Casa Branca anuncia em 2023 novas medidas de controle para aumentar a segurança na fronteira EUA‑México, incluindo a deportação de migrantes não autorizados para o México e a ampliação do processo de “parole” humanitária para cidadãos de Cuba, Haiti e Nicarágua. No ano fiscal de 2023, encerrado em setembro, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA informa que encontrou 200.287 cidadãos cubanos tentando cruzar ilegalmente a fronteira.
Também há uma reaproximação comercial. Em 2024, o Conselho de Comércio e Economia EUA‑Cuba informou que Cuba importou US$ 342,6 milhões em alimentos e produtos agrícolas dos Estados Unidos no ano anterior. Em janeiro de 2025, último mês de Biden na presidência, Cuba sai da lista de estados patrocinadores do terrorismo.
Trump dobra a aposta (2024-atual)
No dia de sua posse, Donald Trump reintegra Cuba à lista de patrocinadores estatais do terrorismo e restaura a lista de “entidades restritas” dentro do governo cubano, que são impedidas de realizar certas transações financeiras com os Estados Unidos. Alguns dias depois, o novo Secretário de Estado Marco Rubio reativa o Título III da Lei Helms-Burton e adiciona a Orbit, uma empresa de processamento de remessas do governo cubano, à Lista Restrita de Cuba. Em fevereiro, a Western Union suspende indefinidamente seus serviços de transferência de dinheiro para Cuba devido às sanções impostas pelo governo Trump. Em março, o governo Trump ordena o fechamento da Rádio e TV Martí, como parte de uma diretriz mais ampla para reduzir a burocracia federal. Também em março, a administração Trump revoga o status legal temporário de mais de meio milhão de migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela.
Em 2026, após a operação militar dos EUA que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Trump sinaliza que Cuba “vai cair por vontade própria” em seguida. Os Estados Unidos não pediram intervenção militar em Cuba, mas Trump diz que a ilha é uma “nação em declínio” e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alerta: “Se eu morasse em Havana e estivesse no governo, estaria preocupado.” As restrições ao transporte de petróleo para a ilha começam a agravar a crise econômica de Cuba. Em março, Trump diz que Cuba está em “seus últimos momentos de vida”.
(Fontes: Universidade Internacional da Florida, Conselho de Relações Exteriores-CFR, Departamento de Estado e Congresso dos EUA, Reuters, AP)
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