Bilionário diz que um simples teste revela se você ficará para sempre na classe média

Esqueça seu salário — este bilionário do setor espacial diz que um simples experimento infantil com marshmallow pode revelar se você está destinado a permanecer na classe média pelo resto da vida.

O clássico experimento de psicologia coloca crianças de quatro anos diante de um marshmallow e de uma escolha: comer agora ou esperar o pesquisador voltar para ganhar dois. A maioria não resiste. E, segundo Dylan Taylor, filantropo e CEO da Voyager Technologies, esse mesmo impulso é exatamente o que mantém a maior parte das pessoas presa financeiramente na vida adulta.

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“É essa ideia de adiar a recompensa”, explica Taylor, que conquistou seu primeiro milhão antes dos 30 anos, em entrevista à Fortune. “É como perguntar: você tem disciplina mental para adiar a satisfação imediata?”

Na visão dele, adultos enfrentam a mesma escolha toda vez que fazem um leasing de carro ou passam o cartão de crédito para comprar algo que ainda não podem pagar.

“Vejo muito disso — carros, aviões, barcos e todas essas coisas… Eu apoio tudo isso quando você pode pagar, mas a maioria das pessoas entra nisso antes de ter condições.”

A exceção, admite, é o endividamento “bom”, como o financiamento do imóvel onde se mora, que nos Estados Unidos costuma ter benefícios fiscais e historicamente foi um investimento razoável no longo prazo.

Mas leasing de carro, dívida no cartão de crédito, pagamentos mensais recorrentes de coisas que só perdem valor — esses são os hábitos que ele vê mantendo as pessoas no mesmo lugar. E isso, sugere, seria a versão adulta de comer o marshmallow no segundo em que o pesquisador sai da sala.

Seu carro diz com 100% de certeza se você continuar na classe média

O especialista em finanças pessoais Dave Ramsey defende há muito tempo que consegue prever quem vai continuar na classe média observando se a garagem da pessoa tem o carro do ano (ou dois) financiado. “Essas pessoas vão continuar na classe média até abandonarem esse hábito”, disse Ramsey. “É um indicador enorme.”

“Nós orientamos as pessoas a não comprar carro zero antes de atingir um patrimônio líquido de US$ 1 milhão”, acrescentou.

Mas, na prática, mesmo entre os ultrarricos, muitos preferem não desperdiçar dinheiro com símbolos de status que drenam patrimônio em vez de construir riqueza.

A bilionária mais jovem que construiu sua própria fortuna, Lucy Guo; o falecido fundador da Ikea, Ingvar Kamprad; e a atriz Kiki Palmer têm algo em comum: todos dirigiam ou dirigem carros velhos e desgastados.

Mitzi Perdue, herdeira bilionária dos grupos Sheraton Hotels e Perdue Farms, nem sequer possui carro — muito menos um modelo chamativo. Ela se desloca usando metrô.

“As famílias Henderson e Perdue não incentivavam extravagâncias”, disse Perdue anteriormente à Fortune. “Ninguém ganha pontos por usar roupa de grife.”

Talvez o exemplo mais famoso seja o investidor lendário Warren Buffett, que há décadas mantém um estilo de vida econômico: nunca gasta mais de US$ 3,17 no café da manhã, mora na mesma casa comprada por US$ 31,5 mil em 1958 e dirige um carro com mais de 20 anos.

O homem com patrimônio estimado em US$ 144 bilhões costuma ser citado dizendo: “Não me interesso por carros, e meu objetivo não é fazer as pessoas terem inveja. Não confunda custo de vida com padrão de vida.”

Dylan Taylor conquistou seu primeiro milhão aos 27 anos — mas não nasceu rico

Construir riqueza real e duradoura talvez seja mais difícil do que muita gente imagina. Uma pesquisa da Resolution Foundation concluiu que, no Reino Unido, um trabalhador médio precisaria guardar o salário inteiro por 52 anos — sem gastar nada — para acumular £ 1,3 milhão (R$ 8,8 milhões), valor necessário para entrar no grupo dos 10% mais ricos.

Nos Estados Unidos, a barreira é ainda mais alta: trabalhadores dizem que precisariam de pelo menos US$ 2,3 milhões (R$ 11,5 milhões) para se sentirem ricos e impressionantes US$ 4,4 milhões (R$ 22 milhões) para alcançar plenamente o sonho americano. Com o salário médio, chegar a esse valor levaria quase 70 anos — mais do que toda a vida profissional de muitas pessoas.

E, ainda assim, em vez de poupar, muitos americanos estão indo na direção oposta. Na prática, o endividamento vem aumentando ano após ano desde 2013 e atingiu níveis recordes. A dívida total das famílias chegou a US$ 18,8 trilhões no início de 2026, sendo que apenas os financiamentos de veículos alcançaram US$ 1,66 trilhão — aumento de US$ 18 bilhões em um único trimestre.

Desconsiderando financiamentos imobiliários, a dívida total fora do setor habitacional está em US$ 5,16 trilhões.

Claro que resistir à vontade de fazer leasing de um Tesla não vai transformar ninguém em bilionário da noite para o dia. Mas Taylor conhece em primeira mão como é difícil para trabalhadores comuns sair do estágio de apenas “dar conta das contas” para alcançar conforto financeiro.

Ele não cresceu em uma família rica. Sua mãe tinha 19 anos quando ele nasceu. Seu pai servia na Guerra do Vietnã. Os primeiros anos foram financeiramente difíceis e, segundo ele, isso moldou tudo. “Acho que foi por isso que fiquei tão focado em ter sucesso e ganhar dinheiro”, afirma.

Antes dos 30 anos, ele já ganhava milhões administrando empresas de capital aberto nos setores de eletrônicos, finanças, bancos e mercado imobiliário. Aos 37, teve uma “crise existencial” e recomeçou — desta vez na indústria espacial, realizando um sonho de infância.

Hoje, a Voyager Technologies é uma empresa de tecnologia espacial e defesa que desenvolve sistemas e infraestrutura essenciais para missões civis, comerciais e de segurança nacional.

Mas foi só no ano passado (aos 53 anos) que Taylor se tornou bilionário, após abrir o capital da Voyager na Bolsa de Valores de Nova York. Talvez uma prova de que a sorte favorece quem sabe esperar.

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