
Na corrida atual por eficiência impulsionada pela IA, as empresas estão sob pressão para agir mais rápido — e provar que conseguem superar os concorrentes. Mas, segundo o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, um dos maiores obstáculos ao sucesso continua sendo algo surpreendentemente pouco tecnológico: as reuniões.
“Quando você faz uma reunião, muitas vezes as pessoas não sabem quem está conduzindo aquilo — e isso é um erro”, disse Dimon durante a conferência do Norges Bank Investment Management, em Oslo (Noruega).
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E, mesmo quando a liderança está claramente definida, a maioria das reuniões fracassa justamente no momento mais importante: o encerramento.
“Quando alguém termina uma reunião dizendo: ‘Foi uma ótima reunião, retomamos isso na semana que vem’, geralmente foi uma reunião ruim”, afirmou Dimon. “A reunião deveria terminar com: ‘Certo, David, você vai fazer X — converse com essas pessoas.’”
Para Dimon, o sucesso de uma reunião não é medido pela sensação que ela deixa, mas pela capacidade de gerar responsabilidades claras e próximos passos concretos.
Isso acontece em um momento de forte rejeição às reuniões. Uma pesquisa com 5 mil trabalhadores feita pela empresa de software Atlassian mostrou que as reuniões são consideradas ineficazes em 72% das vezes.
Além disso, 78% dos entrevistados disseram que o volume de reuniões dificulta concluir o trabalho dentro do prazo. E, embora plataformas como o Zoom tenham tornado mais fácil do que nunca reunir pessoas, essa conveniência também alimentou a proliferação de reuniões — aumentando a pressão para tornar cada uma delas mais eficiente.
Uma das maiores irritações corporativas de Jamie Dimon
As reuniões já são há muito tempo um ponto sensível para o líder do maior banco dos Estados Unidos.
Na cúpula Most Powerful Women, da Fortune, no ano passado, Dimon apresentou expectativas rígidas adicionais sobre como as reuniões devem funcionar — e como os participantes devem se comportar.
“Quando vou para uma reunião, já li todo o material antecipadamente e dou 100% da minha atenção”, disse à Fortune.
“Nada de ficar cochilando, nada de ficar lendo e-mails”, acrescentou Dimon. “Se você está com um iPad na minha frente e parece que está lendo e-mail ou recebendo notificações, mando fechar a porcaria do aparelho. Isso é falta de respeito.”
Concentração, segundo o executivo de 70 anos, é algo inegociável, e o dia em que ele não conseguir mais oferecer esse nível de atenção será o sinal de que deve deixar o cargo.
De forma mais ampla, se as reuniões não tiverem um propósito claro ou não atenderem a padrões básicos, Dimon já apresentou uma solução direta. Em sua carta aos acionistas de 2024, ele escreveu simplesmente:
“Acabem com as reuniões.”
E, no geral, a estratégia de reuniões de Dimon parece estar funcionando. Nos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, o JPMorgan Chase informou receita de US$ 50,54 bilhões, acima da estimativa de US$ 49,17 bilhões e com alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A reação contra as reuniões está crescendo
Dimon não está sozinho nessa frustração. A crescente reação contra o excesso de reuniões está levando executivos a repensar como — e com que frequência — elas deveriam acontecer.
O CEO da Southwest Airlines, Bob Jordan, por exemplo, disse que é fácil cair na armadilha de achar que reuniões são trabalho.
“Quando você começa, é fácil confundir correria e participação em reuniões com liderança”, afirmou Jordan em um painel de CEOs no DealBook Summit, do New York Times, em dezembro de 2025. “Porque o que todos nós percebemos, tenho certeza, é que não sobra tempo para trabalhar de fato, e você acaba confundindo reuniões com trabalho.”
Como solução, ele definiu para si mesmo a meta de manter a agenda livre nas tardes de quarta, quinta e sexta-feira neste ano, para ter períodos dedicados a realmente concluir tarefas.
Enquanto isso, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, adotou uma abordagem mais sistemática para reduzir reuniões em sua empresa de mídia social.
Em um memorando interno divulgado inicialmente pelo Business Insider, Mosseri afirmou que toda reunião agora precisa ter um objetivo claro. Encontros individuais passam a ocorrer, por padrão, a cada duas semanas, e os funcionários são incentivados a recusar reuniões que invadam períodos reservados para concentração.
A empresa também pretende realizar auditorias semestrais para manter a carga de reuniões sob controle.
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