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A paixão nacional pelo futebol está se transformando em uma nova fronteira para golpes digitais no Brasil. Embalados pela explosão das apostas esportivas, pelo comércio informal de ingressos e pela circulação frenética de ofertas nas redes sociais, criminosos vêm explorando a emoção dos torcedores para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas.
Levantamento da provedora NordVPN mostra que 34% dos brasileiros que usam internet já tiveram contato com algum golpe relacionado ao futebol em 2024 e 2025. O dado indica que praticamente três em cada dez torcedores já esbarraram em algum tipo de fraude ligada ao esporte, em um movimento que tende a ganhar força com a aproximação da Copa do Mundo de 2026.
A principal porta de entrada para os criminosos hoje são as apostas esportivas, um mercado que se expandiu rapidamente no país e movimenta bilhões de reais, atraindo tanto consumidores quanto fraudadores, de acordo com a Nord.
Entre os entrevistados que relataram contato com golpes ligados ao futebol, 75% citaram fraudes envolvendo apostas, tornando essa a modalidade mais frequente. Em seguida aparecem ingressos falsos (65%) e produtos esportivos falsificados (57%).
O padrão revela um mercado oportunista que acompanha o comportamento do consumidor em tempo real: onde cresce o interesse, cresce também a tentativa de exploração.
“Os golpes envolvendo futebol funcionam porque são baseados em emoção e urgência”, afirma Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN. Segundo ele, quando as pessoas estão animadas com uma partida, procurando ingressos, buscando dicas de apostas ou tentando encontrar uma transmissão de última hora, elas têm muito mais chance de agir primeiro e verificar depois.
A ascensão das apostas esportivas aparece como principal vetor dessa nova onda de golpes. Segundo a pesquisa, 53% das vítimas relataram fraudes envolvendo falsas dicas de apostas, em que criminosos prometem informações privilegiadas ou ganhos garantidos em troca de pagamento. Outros 50% citaram falsas ofertas de apostas, enquanto 43% relataram promoções fraudulentas de bônus que exigiam pagamento antecipado.
“Na prática, trata-se da lógica clássica do golpe financeiro adaptada ao universo esportivo, com promessas de retorno rápido, senso de exclusividade e urgência artificial”.
O avanço das bets ajuda a explicar esse cenário. Quanto maior o número de apostadores entrando no mercado, maior também o contingente de consumidores expostos a mensagens fraudulentas, influenciadores duvidosos e plataformas não confiáveis.
Se antes golpes digitais estavam associados a e-mails suspeitos ou sites obscuros, agora eles circulam justamente onde o público passa mais tempo, as redes sociais. O estudo mostra uma mudança importante no ecossistema das fraudes digitais, porque os criminosos deixaram de atuar apenas em ambientes marginais e passaram a operar dentro de plataformas consolidadas, aproveitando a familiaridade do usuário com esses canais.
Segundo o levantamento:
A mecânica dessas fraudes não é nova. O que muda é a embalagem. A própria pesquisa mostra que o problema já havia aparecido na Copa do Mundo de 2022, quando 19% dos brasileiros relataram contato com golpes ligados ao futebol. Agora, o percentual saltou para 34%. “A história está se repetindo. Todo grande evento de futebol traz um aumento previsível nos golpes online”, afirma Warmenhoven.
Talvez o dado mais revelador do estudo – realizado entre 3 a 10 de novembro de 2025 pela Syno International a pedido da Nord, com 1000 entrevistados de 18 a 64 anos – seja comportamental. Entre os brasileiros que perderam dinheiro, os sentimentos predominantes no momento do golpe foram de frustração para 36% dos ouvidos, outros 36% sentiram empolgação e para 27% foi de estresse.
Isso reforça a percepção de que esses golpes não prosperam apenas por falhas técnicas de segurança, mas por explorarem estados emocionais que reduzem a capacidade de checagem racional.
No total, 11% dos entrevistados disseram ter perdido dinheiro com golpes ligados ao esporte. Entre as vítimas, as perdas mais frequentes ficaram entre R$ 251 e R$ 500. O mais preocupante é que 58% afirmaram ter sido alvo quatro vezes ou mais, sinalizando que vítimas anteriores se tornam alvos recorrentes.
Esse tipo de engenharia social não se limita ao futebol. O caso do analista Victor Figueiredo Oliveira ilustra bem como fraudes digitais se apoiam justamente na aparência de normalidade. Ao tentar vender um notebook gamer por meio de redes sociais, ele acabou convencido por um suposto comprador a migrar a negociação para uma plataforma especializada em vendas, de quem recebeu “e-mails aparentemente oficiais”, incluindo identidade visual convincente. Ele acreditou que o pagamento estava retido pela plataforma e entregou o equipamento.
O dinheiro nunca chegou, numa lógica semelhante à dos golpes ligados ao futebol. Ou seja, cria-se um “ambiente de confiança artificial” para induzir rapidez na decisão e impedir que a vítima faça verificações adicionais.
Embora 95% dos brasileiros afirmem usar algum mecanismo de segurança digital, o comportamento real ainda mostra fragilidades. O antivírus continua sendo a principal ferramenta, usado por 56% dos entrevistados. Já a autenticação em dois fatores, considerada uma das medidas mais eficazes para proteger contas, aparece em apenas 40%. Na prática, existe uma distância entre saber que os riscos existem e adotar medidas consistentes de proteção, segundo a Nord. Por isso, é fundamental que, quando a emoção do torcedor entrar em campo, a cautela não fique no banco.
Os golpistas vão continuar agindo. E isso significa que os usuários precisam saber como proteger sua vida digital e sua presença online. Segundo a Nord, alguns métodos de segurança são simples e já são usados por alguns dos participantes dessa pesquisa. Outras medidas podem ser menos conhecidas do público geral e vale a pena adotá-las também.
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