Taxas recuam e CDBs pagam abaixo do CDI em abril; o que aconteceu?

Após um mês de março marcado por fortes tensões geopolíticas e incertezas no cenário doméstico, que acabaram elevando as remunerações da renda fixa privada, as taxas dos CDBs caíram em abril, mostra levantamento feito pela Quantum Finance a pedido do InfoMoney.

A taxa média dos CDBs pós-fixados de 24 meses caiu de 100,56% do CDI em março para 99,42% em abril. Os CDBs de inflação para os mesmos 24 meses pagaram, em média, IPCA + 7,72% ante juro real de 7,81% um mês antes.

“A queda das taxas em abril parece refletir mais uma normalização depois do estresse de março do que uma melhora estrutural do cenário”, avalia Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital.

Ramiro Gomes Ferreira, sócio fundador do Clube do Valor, concorda que o mercado passou por uma “acomodação” após o estresse. “O investidor incorporou uma visão de juros ‘altos por mais tempo’ tanto aqui quanto nos EUA. Quando essa expectativa se estabiliza em um patamar elevado, o prêmio extra que os bancos ofereciam em março foi ajustado para baixo em abril”, explica.

Retornos de CDBs atrelados ao CDI entre 01 e 30 de abril de 2026
PrazoTaxa mínima (% CDI)Taxa média (% CDI)Taxa máxima (% CDI)Número de títulosEmissor da maior taxa
397,50%100,08%103,80%43C6
697,50%99,12%103,50%49Paraná Banco
1290,00%98,72%109,00%79Paraná Banco
2496,50%99,42%102,05%50ABC Brasil
3698,00%100,39%104,00%76Stone
Fonte: Quantum Finance

Nos títulos de inflação, a queda das taxas é explicada pelo movimento do Tesouro IPCA+, já que os “emissores privados ajustam rapidamente o spread oferecido ao investidor” quando a remuneração dos títulos públicos cai, como explica Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.

Apesar da queda, Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, ressalta que “o investimento faz sentido nestes patamares (de remuneração), com baixa volatilidade e baixo risco”.

Ferreira recomenda a técnica da escada de vencimentos: “distribua seus investimentos em diferentes prazos. Assim, você garante liquidez periódica e não fica preso a uma taxa se os juros subirem ainda mais no futuro”. Ele também alerta para o risco de crédito: “Fugir de taxas muito baixas (geralmente oferecidas pelos grandes bancos) é prudente, mas buscar taxas milagrosas em bancos frágeis exige cautela dobrada”.

Fernando Benavenuto concorda que “a seletividade passa a ser ainda mais importante” e vê as melhores oportunidades nos papéis de bancos médios com boa classificação de risco. Para os papéis de inflação, ele sugere apenas prazos acima de três anos.

Já Belitardo é mais conservador com os papéis híbridos: “não faz sentido tratar CDB IPCA+ como principal recomendação de carteira, já que eles carregam risco de prazo, liquidez e concentração em emissor”.

Retornos de CDBs atrelados ao IPCA entre 01 e 30 de abril de 2026

PrazoTaxa mínima (IPCA+)Taxa média (IPCA+)Taxa máxima (IPCA+)Número de títulosEmissor da maior taxa
127,01%7,99%8,59%132Haitong Brasil
246,97%7,72%8,44%135Haitong Brasil
366,86%7,70%8,30%91Haitong Brasil
Fonte: Quantum Finance

Prefixados

Na contramão do mercado, os CDBs prefixados de prazos mais longos, de 12 a 36 meses, foram os únicos a registrar alta nas taxas médias em abril. Segundo a Quantum Finance, os CDBs prefixados de 36 meses saltaram para uma média de 13,73% ao ano em abril ante 13,48% um mês antes.

Esse movimento reflete o medo do mercado. “Os prefixados subiram porque o mercado exigiu mais prêmio para travar uma taxa nominal por mais tempo”, resume Belitardo, citando inflação e a incerteza fiscal.

Retornos de CDBs prefixados entre 01 e 30 de abril de 2026

PrazoTaxa mínimaTaxa médiaTaxa máximaNúmero de títulosEmissor da maior taxa
613,37%13,65%13,99%24ABC Brasil
1213,22%13,63%14,10%41Haitong Brasil
2412,62%13,53%14,26%50Haitong Brasil
3612,79%13,73%14,55%51C6 Consignado
Fonte: Quantum Finance

O que esperar para maio?

Para as emissões de maio, o cenário será de “dependência de dados”, como define Ramiro Ferreira. “Se a percepção de risco fiscal no Brasil continuar subindo, as taxas podem sofrer nova pressão de alta. Se houver um sinal de maior controle nas contas públicas, as taxas atuais podem se estabilizar.”

Benavenuto projeta que o comportamento das taxas dependerá de aleitura do mercado sobre o ritmo do ciclo de afrouxamento monetário. Para ele, a ausência de ruídos pode manter a pressão por queda adicional nas taxas de pós-fixados.

A principal dica para o mês, segundo Belitardo, é manter a calma. “A melhor postura é não correr para travar qualquer taxa apenas por medo de perder oportunidade”. O ideal, concluem os especialistas, é manter a diversificação em pós-fixados de qualidade e papéis atrelados à inflação para proteção do poder de compra.

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