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Um mapeamento realizado pela XP Investimentos analisou o posicionamento de preços e o mix de produtos de oito grandes redes de vestuário de média renda.
O trabalho dos analistas mostra que apesar de todas as transformações no cenário competitivo – motivadas, especialmente, pela entrada de novas marcas globais e pela decisão do governo de zerar o imposto de importação federal para compras internacionais de até US$ 50 –, as varejistas nacionais de departamento continuam dominando o mercado de massa brasileiro.
Dentro desse cenário, os analistas da XP preferem a Lojas Renner (LREN3), por conta da postura altamente competitiva da companhia em relação a outras do setor que são listadas na B3.
“Vemos as lojas de departamento bem posicionadas no segmento, sustentadas por esforços recentes em qualidade de produto e percepção de valor, enquanto a precificação competitiva da LREN3 é um dos pilares por trás de nossa preferência pela ação”, diz o relatório da XP Investimentos.
Segundo o levantamento da XP, a Shein, Renner, C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) concentram de forma esmagadora seus estoques na faixa abaixo de R$ 200 para capturar o consumidor de massa.
Entre as empresas com lojas físicas, a Renner lidera no quesito agressividade, com cerca de 88% de seu catálogo total precificado abaixo desse patamar.
No volume total de roupas oferecidas, a Shein lidera com a maior variedade da amostra para reforçar seu modelo de ultra-fast fashion. A Renner aparece em seguida, na liderança do mercado físico tradicional, com a C&A em uma posição intermediária sólida.
Devido à sua entrada recente em agosto de 2025 e à sua pegada física de apenas 8 lojas, a H&M já superou o sortimento da Riachuelo em categorias selecionadas (majoritariamente femininas). Já a Bershka, lançada em março de 2026 no Brasil com uma única loja e foco em curadoria de moda, retém o catálogo mais enxuto da pesquisa.
O documento da XP mostra que em relação ao tamanho dos tickets médios de preço cheio, a Zara atua isolada em uma categoria de perfil puramente premium, registrando uma média de R$ 399 por peça. Esse valor supera em mais de duas vezes e meia o preço médio de R$ 140 verificado na Renner.
A marca concentra seu portfólio na faixa de R$ 201 a R$ 400 e apresenta uma exposição significativa de 21% de todo o seu sortimento acima do patamar de R$ 500.
Essa característica a torna “praticamente a única varejista com um sortimento mais premium, deixando Renner, C&A, Riachuelo e Shein competindo entre si pelo consumidor de massa”, segundo os analistas.
Por outro lado, as marcas estreantes H&M e Bershka estacionaram na lacuna central de preços, concentrando suas etiquetas entre R$ 101 e R$ 300. Elas posicionam-se acima das lojas de departamento nacionais, mas estruturalmente abaixo da Zara.
Outro ponto levantado no documento é em relação às promoções e políticas de desconto. Tanto a Shein quanto a Renner possuem as políticas mais incisivas do mercado: A Shein opera com 74% de suas mercadorias remarcadas, enquanto a Renner mantém 63% do catálogo em promoção, aplicando reduções médias de preço de 30% a 35%.
A XP ressalta que tal agressividade por parte da Shein faz com que a chinesa registre estatísticas de preço médio muito alinhadas às das lojas de departamentos locais brasileiras, mesmo sendo estruturalmente 30% mais barata que Renner, C&A e Riachuelo em termos de preço cheio.
Vale frisar que os preços extraídos não embutem as cobranças estaduais de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
“Shein e Renner atualmente têm a intensidade promocional mais aggressive (63-74% dos SKUs com desconto)”, diz o relatório, contrapondo-se à rigidez de preço cheio da Zara, H&M e Bershka, que operam com liquidações restritas e calendário promocional fixo.
Os investimentos contínuos das varejistas brasileiras em cadeias de suprimentos e percepção de marca ajudaram a blindar o mercado físico nacional contra os novos concorrentes.
A XP Investimentos pontua que a própria Hering redesenhou suas tabelas de preço para convergir em direção aos valores praticados pelas grandes lojas de departamentos, com maior intensidade no seu foco comercial em itens básicos.
Mesmo com a concorrência da internet e as pressões competitivas globais, o estudo conclui que as empresas tradicionais de vestuário conseguiram defender suas margens operacionais e o valor agregado de seus produtos.
“No geral, nossos achados sustentam nossa visão construtiva para o segmento e nossa preferência por LREN3“, finalizam os analistas.
The post Como as varejistas de moda da B3 lidam com a concorrência gringa? XP explica appeared first on InfoMoney.
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