
As ações brasileiras não decepcionaram quem esperava fortes emoções no primeiro semestre. O Ibovespa chegou a saltar 23,70% no ano até 14 de abril, mas fechou a primeira metade de 2026 com alta de apenas 6,70%, abaixo dos 6,90% do CDI. Após o quarto mês de queda no ano em junho, as recomendações para o restante do ano mesclam ações defensivas e apostas que podem trazer valorização mais rápida aos portfólios, com um apelo para a seleção de ativos em vez de uma alocação mais ampla.
Segundo o Goldman Sachs, espaço para crescer a Bolsa brasileira tem. Os estrategistas do banco avaliam as ações – negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L futuro) – como baratas em relação às taxas de juros de longo prazo. Eles admitem a possibilidade de volatilidade maior no segundo semestre com as eleições se aproximando, mas apontam que “qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros”.
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A XP Investimentos avalia o preço-alvo do Ibovespa em 200 mil pontos, com potencial de valorização de 16,2% em relação ao preço atual da Bolsa. Para a corretora, os preços e uma possível perda de força do trade de IA podem beneficiar a Bolsa com uma nova onda de entrada de capital estrangeiro no segundo semestre.
- Os melhores setores para o 2º semestre
- As ações mais recomendadas
- O que evitar na hora de escolher?
- Conselhos para navegar o resto do ano
Os melhores setores para o 2º semestre
“Não acreditamos em uma alta generalizada da Bolsa, mas sim em um ambiente onde empresas de qualidade deverão se destacar”, resume Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos. Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, também recomenda o stock picking.
A cesta defensiva é o denominador comum das recomendações. Bancos, energia elétrica, saneamento, telecomunicações e seguradoras são citados como os setores capazes de segurar a carteira num ambiente de juro alto e ruído eleitoral. “A gente vê oportunidade em setor defensivo, com empresa madura, que gera caixa de forma consistente e paga bom dividendo, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
No Andbank, a leitura é parecida: “As principais oportunidades seguem em energia elétrica, saneamento e bancos”, diz Fernando Bresciani, analista de investimentos da casa, que espera bons resultados no segundo trimestre para grandes bancos, petroleiras, mineradoras e shoppings.
Embraer é um dos poucos nomes a se repetir entre as casas. Para Bresciani, a companhia aparece “muito descontada na Bolsa”, ao lado da Rede D’Or (RDOR3), e ganharia impulso adicional com o calendário do setor: “as feiras de aviação previstas para os próximos meses podem ser positivas para novas encomendas”. A XP cita “oportunidade de valuation” para colocar a Embraer como uma de suas ações favoritas em bens de capital.
Na Ciano Investimentos, a aposta é mais tática e casada com a trajetória dos juros. Lucas Sigu defende que, se a Selic continuar caindo, ações alavancadas – mas com fôlego de caixa –- podem se destacar, e cita Marfrig (MRFG3) e Simpar (SIMH3): “são aquelas que têm um endividamento saudável.”
As ações mais recomendadas
Bancos , commodities e aviação (na figura da Embraer) dominam a lista da virada do semestre das principais carteiras recomendadas monitoradas pelo InfoMoney. O Itaú Unibanco (ITUB4) lidera com folga, seguido por Embraer (EMBJ3) e Vale (VALE3), empatadas na segunda posição, e por Petrobras (PETR4), logo atrás.
O Itaú se sustenta na consistência de resultados, ROE elevado e disciplina de capital, características que reforçam seu papel defensivo mesmo com juros ainda altos. A Embraer ganhou força após a correção recente das ações, com backlog recorde, avanço de margens e exposição a receitas dolarizadas. A Vale segue favorita pelo controle de custos, valuation descontado e expectativa de recuperação do minério de ferro. Já a Petrobras mantém apelo pelo dividend yield elevado e pela posição de hedge geopolítico, ainda que o petróleo mais baixo já limite parte do potencial de alta no curto prazo.
Na sequência aparecem Axia Energia (AXIA3) e Bradesco (BBDC4), com cinco recomendações cada, e Rede D’Or (RDOR3), Localiza (RENT3) e Sabesp (SBSP3), empatadas com quatro. Veja a lista completa:
O que evitar na hora de escolher?
Do outro lado, há um consenso sobre o que evitar: varejo e construção civil. “Recomendamos cautela com varejo e com setores mais sensíveis a crédito e endividamento das famílias. Com a Selic ainda restritiva, esses nomes sofrem mais, o consumidor endividado compra menos, o crédito fica caro, e isso aperta margem justamente nos setores mais cíclicos”, diz Perri.
Bresciani segue a mesma linha e cita explicitamente a construção civil como segmento a ficar de fora. Na Terra, o filtro é por características de balanço: Chinchila pede cautela com empresas de “elevado nível de endividamento”, “baixa geração de caixa” e “necessidade frequente de captação”, além de “múltiplos elevados sem suporte de crescimento dos lucros”.
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Conselhos para navegar o resto do ano
Sobre o que vai separar uma carteira vencedora de uma frustrada no segundo semestre, as respostas giram em torno de seleção, diversificação e disciplina. Perri resume a receita da Forum: “o que separa uma carteira bem-sucedida de uma frustrada é diversificação, boa gestão de risco e uma posição eficiente nos papéis e setores vencedores.”
Na mesma linha, Caio Tonet, diretor institucional da W1 Consultoria, ressalta a importância da diversificação como fator estrutural da carteira para absorver os choques locais. “A diversificação tem sido mais importante do que nunca”, afirma, lembrando que um portfólio bem montado permite ao investidor ir às compras atrás de oportunidades que o mercado eventualmente oferecer até o fim do ano.
A recomendação de Lucas Sigu, em meio à volatilidade eleitoral, é ter paciência: “o investidor tem que estar preparado para oscilação.” E, para ele, o saldo tende a compensar a turbulência – a Ciano trabalha com a Bolsa terminando o ano “positivo com relação ao que começou”.
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