Onde Lula perde força em relação a 2022 e onde Flávio mantém os redutos de Bolsonaro

O mapa eleitoral de 2026 ainda se parece muito com o de 2022, a diferença, no entanto, está no tamanho das forças entre os dois principais candidatos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem no Nordeste, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra seus melhores resultados no Sul, Centro-Oeste e em parte do Sudeste.

As pesquisas estaduais mais recentes de Quaest e Datafolha indicam que Lula aparece numericamente à frente em 11 estados. Flávio lidera em oito e no Distrito Federal, enquanto sete unidades têm empate técnico.

Em 2022, Lula venceu o primeiro turno em 14 estados e Jair Bolsonaro, em 12 e no DF.

A comparação dos percentuais mostra que Lula ainda não recuperou em seus principais redutos as votações alcançadas quatro anos atrás. Flávio, por sua vez, herdou a geografia eleitoral do pai, mas as pesquisas não apontam até agora uma expansão clara da votação de Jair Bolsonaro nos estados.

É preciso considerar uma diferença importante: os números de 2022 são resultados das urnas, enquanto os de 2026 são pesquisas realizadas antes da votação, com indecisos, brancos, nulos e outros candidatos. Ainda assim, o cruzamento ajuda a identificar onde as margens se estreitaram.

Nordeste continua com Lula

O Nordeste segue sendo o principal território eleitoral de Lula. Nas pesquisas mais recentes, o presidente aparece à frente nos nove estados da região. Em seis deles, a diferença para Flávio ultrapassa 30 pontos.

As margens, porém, estão abaixo das registradas por Lula no primeiro turno de 2022.

Na Bahia, Lula recebeu 69,7% há quatro anos. A Quaest agora registra 58%, contra 23% de Flávio. No Ceará, passou de 65,9% nas urnas para 55% na pesquisa. No Maranhão, de 68,8% para 59%.

O Piauí mostra uma das maiores diferenças. Lula teve 74,3% no primeiro turno de 2022 e aparece agora com 59% no Datafolha. Flávio registra 20%, praticamente o mesmo percentual obtido pelo pai quatro anos atrás, de 19,9%.

Em Pernambuco, a perda de margem é menor. Lula teve 65,3% em 2022 e aparece com 60% no Datafolha. Flávio tem 24%, ante os 29,9% obtidos por Jair Bolsonaro.

O Nordeste, portanto, continua favorável a Lula. A questão para a disputa nacional é o tamanho da vantagem que o presidente conseguirá retirar da região.

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Minas é onde o mapa se comprimiu

Minas Gerais terminou o primeiro turno de 2022 com Lula em 48,3% e Jair Bolsonaro em 43,6%. A diferença foi inferior a cinco pontos.

Agora, o Datafolha mostra Lula com 39% e Flávio com 37%, em empate técnico. A Quaest registra 35% a 30%.

Os dois estão abaixo das votações obtidas pelos candidatos de seus campos políticos há quatro anos, mas a distância entre eles continua pequena.

Minas é especialmente importante porque Lula venceu o estado no primeiro turno de 2022 e terminou praticamente empatado com Bolsonaro no segundo: 49,93% a 50,07%.

Para Lula, preservar Minas evita perder um estado que ajudou a compensar derrotas em São Paulo e no Rio. Para Flávio, aproximar-se do presidente no estado mantém a mesma fronteira competitiva construída pelo pai.

São Paulo continua no campo bolsonarista

Em São Paulo, Jair Bolsonaro teve 47,7% no primeiro turno de 2022, contra 40,9% de Lula.

O Datafolha mais recente registra Flávio com 38% e Lula com 33%. Os dois aparecem abaixo de seus respectivos campos em 2022, mas a distância entre eles permanece próxima: cinco pontos agora, contra quase sete há quatro anos.

Flávio também se beneficia do alinhamento com Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre os eleitores que dizem votar no governador paulista, 63% escolhem Flávio para presidente, segundo o Datafolha.

O quadro mostra continuidade da vantagem da direita no maior colégio eleitoral do país, sem indicar até agora que Flávio tenha ultrapassado o desempenho estadual alcançado por Jair Bolsonaro.

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Rio mantém vantagem da família Bolsonaro

O Rio de Janeiro também preserva a configuração de 2022. Jair Bolsonaro recebeu 51,1% no primeiro turno daquele ano, enquanto Lula teve 40,7%. Agora, o Datafolha registra Flávio com 44% e Lula com 38%. A Quaest também coloca o candidato do PL numericamente à frente, com 37% contra 30%.

Flávio mantém, portanto, a dianteira do campo bolsonarista em seu estado de origem, mas em percentual inferior ao alcançado pelo pai nas urnas.

Para Lula, o Rio aparece mais próximo do desempenho obtido em 2022 do que outros estados. O Datafolha coloca o presidente dois pontos abaixo de sua votação anterior.

Sul preserva a maior resistência a Lula

Paraná e Santa Catarina continuam entre os principais redutos de Flávio. No Paraná, Jair Bolsonaro teve 55,3% no primeiro turno de 2022. Flávio aparece agora com 40%, contra 26% de Lula. Em Santa Catarina, Bolsonaro obteve 62,2%; o filho registra 50%, enquanto Lula tem 23%.

No Rio Grande do Sul, a disputa está mais apertada. Flávio marca 35% e Lula, 31%, em empate técnico pela margem de erro da Quaest. Em 2022, Bolsonaro teve 48,9% e Lula, 42,3%.

O padrão regional permanece semelhante, mas novamente com percentuais menores para os dois polos.

Centro-Oeste continua mais próximo de Flávio

Flávio também mantém a vantagem histórica do bolsonarismo no Centro-Oeste.

Em Mato Grosso, ele tem 50%, contra 25% de Lula. Jair Bolsonaro havia registrado 59,8% no estado em 2022. Em Mato Grosso do Sul, o placar atual é de 42% a 27%, enquanto Bolsonaro teve 52,7% há quatro anos.

No Distrito Federal, o Datafolha registra Flávio com 41% e Lula com 34%. Em 2022, Bolsonaro terminou o primeiro turno com 51,7% e Lula, com 36,9%.

Goiás aparece mais equilibrado: Flávio tem 33% e Lula, 27%, dentro da margem de erro da Quaest. Em 2022, Bolsonaro venceu o estado por 52,2% a 39,5%.

Norte mostra maior fragmentação

No Norte, o mapa é menos uniforme. Lula aparece à frente no Pará e Amapá. Flávio lidera Acre, Rondônia e Roraima. Amazonas e Tocantins apresentam empate técnico.

Em 2022, Lula havia vencido no Amazonas, Amapá, Pará e Tocantins no primeiro turno. Bolsonaro ganhou Acre, Rondônia e Roraima. O desenho básico, portanto, também permanece próximo ao da última eleição.

O principal sinal para Lula é a redução de seus percentuais. No Pará, por exemplo, saiu de 52,2% em 2022 para 37% na Quaest. No Amazonas, de 49,6% para 38%.

Flávio herdou o mapa

Os dados estaduais não mostram, até aqui, uma expansão generalizada da votação bolsonarista em relação a 2022. Flávio aparece abaixo do percentual de Jair Bolsonaro em praticamente todos os estados comparáveis.

A exceção é residual. No Piauí, marca 20% no Datafolha, praticamente o mesmo patamar dos 19,9% do pai quatro anos atrás.

A força de sua candidatura está principalmente na preservação da geografia eleitoral, em regiões como Sul, Centro-Oeste, e estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Acre, Rondônia e Roraima continuam sendo os territórios em que o bolsonarismo apresenta seus melhores números.

Lula enfrenta questão semelhante. Também aparece abaixo de sua votação de 2022 em todos os estados incluídos nesse recorte das pesquisas. A diferença é que os recuos em estados onde venceu por margens muito amplas, especialmente no Nordeste, podem reduzir o saldo de votos que compensou as derrotas sofridas no Sul, Centro-Oeste, São Paulo e Rio há quatro anos.

O mapa atual, portanto, sugere mais continuidade territorial do que uma reorganização entre os dois campos. A variável central para 2026 será o tamanho das margens: quanto Lula conseguirá preservar de sua vantagem no Nordeste e quanto Flávio conseguirá manter do desempenho do pai nos redutos de direita.

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